27.10.10

As obras roubadas na Segunda Guerra

Uma organização judaica dos Estados Unidos anunciou a publicação on-line de um registro de 20 mil obras de arte roubadas pelos nazistas na França durante a Segunda Guerra Mundial.

O site www.errproject.org/jeudepaume inclui fotos das obras e a identidade de seus donos e foi divulgado pela "Conferência sobre reivindicações materiais judaicas contra a Alemanha" e pelo Museu do Holocausto dos EUA.

O trabalho, iniciado em 2005, consistiu em digitalizar as fichas do ERR (Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg), a agência responsável por confiscar os bens dos judeus nos territórios ocupados pela Alemanha durante a guerra.

As fichas encontram-se atualmente em três centros: a chancelaria francesa, os arquivos nacionais dos Estados Unidos e os arquivos federais alemães, explicou à AFP um dos diretores do projeto, Marc Mazurovsky.

As obras incluídas no catálogo pertenceram a famílias judias, principalmente francesas e algumas belgas, e haviam sido reunidas, inventariadas e expostas pelos nazistas no museu Jeu de Paume de Paris durante a ocupação nazista na França. "Décadas após o maior saque em massa da história da humanidade, as famílias das vítimas podem agora consultar esse registro, que vai ajudá-las a localizar os tesouros perdidos há muito tempo", declarou Julius Berman, presidente da Conferência.

O site permite ver centenas de obras - que vão de pinturas a móveis, vasos ou esculturas - e verificar quem é seu legítimo proprietário, coisas que às vezes os herdeiros ignoram, afirma o professor Wesley Fisher, diretor de pesquisa da Conferência.

 

 

23.10.10

Emanuel Lévinas: o judaísmo do outro homem - por Paulo Blank*

 "Se existe algum sentido para o judaísmo de Israel ele se encontra em Emanuel Lévinas", afirma a PhD Israelense Elizabeth Golwin. Com Lévinas, um filósofo judeu em pleno século XXl, voltamos à raiz hebraica, à Bíblia, aos ensinamentos do Talmud, aos sábios de Vilna, para mergulharmos num mundo marcado desde a criação pela presença incômoda do outro . Como judeu tradicionalista, Levinas nos ensina a pensar o judaísmo enquanto maneira de entender um mundo de homens vivendo na ausência de Deus.

Como mestre, ele chama o judaísmo de uma religião para adultos, enquanto o seu pensamento nos leva a superar a leitura dogmática, infantil, dos textos da tradição judaica. É pela coragem de sua maneira de olhar o mundo real que Emanuel Lévinas e a paixão ética do seu pensamento vigilante são considerados como uma das contribuições filosóficas mais importantes de nossos tempos.

O encontro no CHCJ (quinta-feira, 28 de outubro, 20 horas) não se pretende uma aula sobre o autor. O que queremos com  " O Judaísmo do Outro Homem" é refletir sobre um  judaísmo que desde a sua origem nos coloca como estrangeiros diante de estrangeiros,de perceber o tempo súbito das rupturas,tempo do outro,dos filhos,da renovação e da inquietude,da responsabilidade de uma vida vivida em um mundo do qual Deus está distante. Partindo da Bíblia hebraica e passando pelo Talmud, exercitaremos um modo não linear de meditar sobre a palavra revelada, fonte de um pensamento forte que atravessa os milênios carregando a marca da presença exigente de um outro que nos desafia ao encontro e à responsabilidade.

*  Paulo Blank é psicanalista e escritor, doutor em Comunicação e membro do Judaísmo Humanista/R.J.
O CHCJ fica na ARI, Rua General Severiano, 170/ 6º. Andar –Estacionamento no local. Telefones: (21) 2156.0413 e 2275.7096
                                                        

16.10.10

Klientelshik

O Museu Judaico e a Na'amat Pioneiras lembrarão (21/10, a partir das 17 horas) a figura do Klienteltshik, como ficou conhecido entre os judeus o prestamista que percorria, na primeira metade do século XX, as ruas das grandes cidades brasileiras, batendo de porta em porta, vendendo mercadorias a prestação. O percurso foi árduo, mas muitos dos antigos klientelshiks se tornaram depois bem sucedidos homens de negócios. Esses prestamistas também foram figuras populares nos EUA e na Argentina.
 
A homenagem constará de palestra da professora Helena Lewin e de depoimentos de pessoas que viveram a época, além de uma exposição de fotografias.
 
No Museu (rua México 90, 1o. andar, informações 21-2240-1598 e 2553-0983)

13.10.10

12.10.10

Marcel Gottlieb: música para compartilhar

Toda quarta-feira, num auditório no Leblon, Marcel Gottlieb leva a um público entusiasmando, via DVDs de altíssima qualidade, as melhores orquestras e os melhores instrumentos do mundo, que passeiam pela obra de Beethoven, Mozart, Mahler, Stravinsky e muitos mais... Dono de vasta cultura musical e mente aberta, Marcel entremeia a apresentação das obras com informações que situam social e historicamente o que se ouve. Ele também organiza programas "a pedidos", e não só da chamada música clássica, pois entre os 3.000 DVDs de sua coleção há outros gêneros.

P: Como essa atividade começou?

R: Meus pais sempre trabalharam muito e eu fui criado pela minha avó, que era professora e dava aulas de Matemática em casa. Ela me ensinou quase tudo. Ela pedia para colocar os discos na vitrola, e me explicava as histórias das musicas e seus compositores, para que eu me motivasse mais a gostar da musica.

Tento fazer o mesmo em minhas palestras: meu objetivo é fazer com que, conhecendo mais, as pessoas consigam sentir mais prazer com a música.

Ha 14 anos, na piscina do clube, amigos meus me desafiaram , dizendo que só eu não reconhecia que a música de que eu gostava, com 200 anos ou mais, já tinha morrido e eu não conseguia ver. Pedi 15 minutos de crédito para fazer uma introdução e garanti que eles iriam gostar também. Fizemos uma reunião na minha casa e foi fácil. Em 15 minutos todas as pessoas que vieram ficaram apaixonadas pela ópera Carmen, de Bizet Comecei explicando como nasceu o livro de Mérimée, depois como Bizet fez a música, etc.... Ganhei a aposta e comecei a me entusiasmar com a atividade.

Os encontros que preparo dependem muito da opinião das pessoas que participam, na hora ou antes, me escrevendo o que acham e o que gostariam que eu apresentasse. A participação das pessoas é que me motiva.

Eu era colecionador de LPs e hoje coleciono vídeos musicais. Meu sonho é criar um ambiente em que as pessoas possam escolher seus programas, uma videoteca comunitária - um "Clube de Amigos" direcionado à musica.

P: Você toca algum instrumento?

R: Estudei piano, mas muito pouco. Gostaria de ter continuado. O motivo pelo qual  parei foi que minha professora era muiiiiiiiiito chata. E me acomodei e me distanciei de tocar. Sempre gostei de ouvir e me bastava. Hoje sinto pena de não ter prosseguido.


P: Viaja para concertos? Em geral, vai em busca orquestras ou de compositores? Quais os favoritos?

Viajo quando posso. Acabei de voltar de um "Nabucco", de Verdi, em Metzadá. INESQUCÍVEL !!! Busco o que gosto e de vez em quando o que eu não gosto, mas sinto que posso acabar gostando. Às vezes, me surpreendo e me apaixono pelo que não conhecia.

Fazendo um esforço para resumir, e esquecendo um mundo de favoritos, alguns deles são:
Orquestras: Filarmonica de Berlim, Israel, Concertgebouw, etc...
Regentes: Solti, Chailly, Jansons, Abbado, Furtwängler, Mravinsky, Bernstein, Barenboim, etc...
Violinistas: Vengerov, Shaham, Oistrakh, Heifetz, Perlman, Stern, etc...
Pianistas: Rubinstein, Horovitz, Barenboim, Lang-Lang, Nelson Freire, Arnaldo Cohen, etc...
Cantores: Maria Callas, Anna Netrebko, Dmitri Hvorostovsky, Peter Gottlieb (meu tio - baritono franco-brasileiro). E muiiiiiiiiiiiiiiiiitos outros


P: Qual é o seu acervo hoje? E a família, curte esse hobby?

R: A familia curte muito e me apoia intensamente. Eu gosto muito mais que os filhos (temos cinco) e a esposa compareçam aos encontros, mas acredito que eles também gostem de ir. Quando sei que vão gostar do tema aviso para irem.

Devo ter 3.000 vídeos. Mais de clássicos, ópera, rock, jazz e MPB. Estou catalogando para poder disponibilizar na videoteca. Já catalogamos 700 DVD's. Este "Clube de Amigos" vai ser muito bom.
 

Israel deve tocar Wagner?

Por causa das notícias de que os isralenses participariam do próximo Festival de Bayreuth (veja post seguinte), perguntei a Marcel Gottlieb como ele se sente em relação a Wagner.

" Já passei por diversas fases. Fui criado pela minha avó, italiana, que detestava Wagner. Ela simplesmente não me mostrou que a musica de Wagner existia. Ao longo do tempo pesquisei e conheci mais a música dele, sempre com "os pés atrás", mas conseguindo saborear a sua grandeza.

 

Hoje consigo dividir, mantendo vivo o desprezo ao que Wagner fez em vida, pois ele não era apenas um antissemita praticante, era um péssimo caráter em várias de suas opções. Sempre levando em consideração as besteiras que ele falou e escreveu, consigo ouvir a sua música, me encantar pelo valor que ela tem e valorizar sua influência.

 

A cada dia, temos que rever conceitos: se existe alguém que apoia o estado de Israel filosoficamente, contra a cegueira de parte da mídia, é atualmente a Alemanha da Angela Merkel, a melhor parceira de Israel. Quem poderia imaginar isso há alguns anos? Quem não souber rever seus conceitos será tão cego como o radicalismo religioso.

 

Resumindo: gosto muito da música de Wagner, e não penso na pessoa dele quando a escuto. Mas para mim é fácil, eu não vivi a Alemanha Nazista.  Respeito quem tem suas cicatrizes, e acho que a música de Wagner, em Israel, deva ser ouvida somente dentro de casa. Isto é, se corremos o risco de que um sobrevivente do Holocausto esteja ouvindo também, devemos desligar e não deixa-lo ouvir novamente. Questão de respeito ao seu passado".

Israelenses não vão tocar Wagner na Alemanha

A Orquestra de Câmera de Israel não vai participar do próximo Festival de Bayreuth, na Alemanha, em julho de 2011, depois que a aceitação do convite (feito por Katharina Wagner, neta do compositor) produziu uma avalanche de protestos entre sobreviventes do Holocausto e seus descendentes. O incômodo se espalhou e os próprios organizadores do evento mais aguardado pelo público wagneriano acharam melhor suspender a apresentação.

As salas de concerto de Israel não programam obras de Richard Wagner (1813-1883), que foi um antissemita notório e cuja música foi utilizada pelo regime nazista. A nora do compositor, Winifred, era grande amiga de Adolf Hitler e foi diretora do Festival de Bayreuth entre 1930 e 1945.

Escreveu mas não disse: em busca de votos, lá como cá, cada dia é um dia...

Carl Paladino, o candidato republicano ao governo de Nova York, foi contundente contra os gays num discurso à comunidade judaica ortodoxa da Congregação Shaarei Chaim, no Brooklyn, que o aplaudiu bastante (também houve aplausos entusiastas quando o candidato exaltou os cidadãos religiosos e atacou os imigrantes).
 
Mas Paladino omitiu uma frase que estava no discurso, e que acabou vazando para a mídia: "Não há nada que possa fazer alguém se sentir orgulhoso por ser um homossexual disfuncional" – foi a tal frase que agora está gerando polêmica e talvez lhe tire votos. O candidato democrata defende os direitos civis da comunidade homo, numa cidade em que o voto deste segmento pesa bastante.

8.10.10

Quem é o autor do Shpy do Chabad? O criador do MAD, Al Jaffee




Al Jaffee, 89 anos, o brilhante artista responsável por grande parte do sucesso da revista  MAD de 1955 até hoje, vem fazendo um "bico" nos últimos 25 anos: desenhou o Shpy, o herói  cujas aventuras fazem sucesso nas páginas da revista infanto-juvenil Moshiach Times, do Chabad de NY. O título da revista alude à esperada chegada do Messias. Leia a história completa, em inglês, no  New York Times. O artista nunca foi um judeu religioso, muito pelo contrário, mas criou esse ótimo personagem, altamente popular entre as crianças (a revista tem 10 mil assinantes, que pagam 15 dólares por ano).  


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