Amor à Sombra da Morte é o primeiro volume (em polonês e inglês) da série Episódios de Auschwitz, de uma editora polonesa que aposta em HQ, histórias em quadrinhos, para divulgar ao público jovem fatos ocorridos no campo de extermínio. O estilo é realista e a chamada é popular, do tipo “Eles encontraram o amor entre os horrores do campo, mas nunca alcançaram o sonho de viver juntos uma nova vida”.
No caso, “eles” são um casal real, Edek Galinski e Mala Zimetbaum, ela judia, ele não, que chegaram a escapar de Auschwitz, mas foram recapturados e mortos. Sobreviventes do campo participaram da criação da série, como consultores.
Os dois volumes seguintes não têm a ver com judeus. Um é o relato sobre o polonês Witold Pilecki, membro da Resistência, que foi voluntariamente para Auschwitz, de onde passava informações, e acabou executado como traidor pelo regime comunista no pós-guerra. O outro é sobre Maximillian Kolbe, frade franciscano que também foi prisioneiro do campo e ficou conhecido como “o santo de Auschwitz”.
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1.12.09
26.9.09
"O Interrogatório": vigília pela vida (por Michel Mekler)
Minha programação, ontem, era ver o início da peça “O Interrogatório”, de Peter Weiss, que coincidiu com o início do shabat, e sair para outro compromisso. No dia seguinte eu voltaria para ver o restante (são seis horas de duração), já que a peça, dirigida por Eduardo Wotzik (na foto), foi encenada em moto-contínuo, durante 24 horas, com o público podendo entrar, sair e voltar a qualquer hora.
No foyer da Casa de Cultura Laura Alvim, antes de começar a peça e o shabat, tocou-se o shofar. Subimos e os atores já estavam no teatro, sentados em suas cadeiras na platéia (os “judeus” de um lado, os “nazistas” do outro), ou no palco (caso do juiz). A peça trata do julgamento de alguns chefes do campo de Auschwitz , com base nos depoimentos de sobreviventes. Esses sobreviventes trabalhavam em setores estratégicos como farmácia, carregando os mortos, ou no departamento de assuntos políticos. Através dessa teia de testemunhas, entende-se como era o dia-a-dia do local.
De tempos em tempos, tocava-se um sinal e a peça se interrompia por alguns minutos, para quem quisesse se levantar ou sair. Eu sei que fui ficando, em meio a vários momentos emocionantes, inclusive com músicas cantadas pelos “sobreviventes” e, no intervalo, reza voltada para a parede de pedra do teatro (Muro das Lamentações?). Na verdade, só notei que a peça tinha acabado quando os atores começaram a repetir o que eu já tinha ouvido. Era meia-noite e o teatro continuava cheio, agora com um público mais jovem. Cada minuto valeu a pena.
[ abaixo, chegada de mulheres e crianças judias húngaras a Auscwitz, em 1944, arquivos do Yad Vashem ]
No foyer da Casa de Cultura Laura Alvim, antes de começar a peça e o shabat, tocou-se o shofar. Subimos e os atores já estavam no teatro, sentados em suas cadeiras na platéia (os “judeus” de um lado, os “nazistas” do outro), ou no palco (caso do juiz). A peça trata do julgamento de alguns chefes do campo de Auschwitz , com base nos depoimentos de sobreviventes. Esses sobreviventes trabalhavam em setores estratégicos como farmácia, carregando os mortos, ou no departamento de assuntos políticos. Através dessa teia de testemunhas, entende-se como era o dia-a-dia do local.
De tempos em tempos, tocava-se um sinal e a peça se interrompia por alguns minutos, para quem quisesse se levantar ou sair. Eu sei que fui ficando, em meio a vários momentos emocionantes, inclusive com músicas cantadas pelos “sobreviventes” e, no intervalo, reza voltada para a parede de pedra do teatro (Muro das Lamentações?). Na verdade, só notei que a peça tinha acabado quando os atores começaram a repetir o que eu já tinha ouvido. Era meia-noite e o teatro continuava cheio, agora com um público mais jovem. Cada minuto valeu a pena.
[ abaixo, chegada de mulheres e crianças judias húngaras a Auscwitz, em 1944, arquivos do Yad Vashem ]
Como o Michel, também fiquei super-emocionada (e ao meu lado pessoas não escondiam as lágrimas) com a "vigília pela vida" de Eduardo Wotzik. O espetáculo recriou parte do julgamento de Frankfurt, em 1965, que processou oficiais e funcionários menos graduados por crimes de guerra. E é uma comprovação da maturidade cultural do Rio de Janeiro essa acolhida da diretora da Casa de Cultura Laura Alvim, Lygia Marina, a uma concepção de teatro que foge do ramerrão cotidiano.
Assisti a três horas horas desse tour de force do diretor e de 40 atores: o tempo voou, apesar da náusea produzida não só pela dor das vítimas como pela ideia de que a abjeção dos carrascos jamais será suficientemente punida. O que se transplanta para outras latitudes e momentos, inclusive o atual, mas isso já é outra conversa...
Veja mais em http://www.ointerrogatório.blogspot.com/
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