Uma exposição em NY mostra as raízes judaicas – e, quem sabe, alguma influência brasileira – de um dos mais simpáticos personagens infantis da literatura e depois do cinema, o macaco George, o Curioso. Os criadores de George são o ilustrador H. A. Rey e Margret Rey, nomes artísticos do casal Hans Augusto Reyersbach (1898 - 1977), ilustrador, e sua mulher Margarete Elizabeth Waldstein (1906 - 1996), escritora, nascidos em Hamburgo.
Refugiados do nazismo em Paris, ambos fizeram escala no Rio, em 1940, antes de seguir para os EUA. Eles fugiram da capital francesa de bicicleta antes da invasão alemã, levando suas ilustrações para livros infantis, inclusive a do macaco (então chamado Fifi). Atravessaram França, Espanha e Portugal antes de embarcar para o Brasil, onde teriam feito uma viagem exploratória pelo rio Amazonas. Pode ser que essa estadia tenha contribuído para a formatação final de George, cujas aventuras acontecem na África...
O casal escreveu e ilustrou mais de 30 livros, quase todos infantis, e George foi traduzido para dezenas de línguas. A exposição, no Museu Judaico de Nova York, mostra desenhos originais, trabalhos preparatórios, fotografias e documentação relativa à fuga da Europa. Veja mais em thejewishmuseum.org.
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7.3.10
24.2.10
História dos Judeus nos EUA terá grande museu
O novo Museu Nacional da História dos Judeus Americanos [National Museum of American Jewish History], com inauguração marcada para novembro próximo na Filadélfia, mostrará uma saga que começou há 350 anos e prossegue até os dias de hoje, uma história de sucesso e superação que produziu grande impacto no imaginário coletivo ocidental.
Acima, o quadro em que o Museu mostra a quantas anda sua construção, que é informada no site http://www.nmajh.org/ , onde podem ser vistas as fotos da obra em progresso.
Essa transparência, mais a abertura para a participação popular, são aspectos interessantes do Museu. Foi por eleição direta (mais de 209 mil votos, vindos de 56 países) que foram escolhidas as primeiras 18 personalidades que terão suas vidas e obras retratadas na Galeria da Fama, devidamente chamada Only in America Gallery/Hall of Fame.
A Galeria incluirá nomes como Irving Berlin, Leonard Bernstein, Albert Einstein, Estée Lauder, Emma Lazarus, Golda Meir, Isaac Bashevis Singer, Steven Spielberg e Barbra Streisand. As realizações desses indivíduos ilustram um dos traços característicos da experiência dos imigrantes nos EUA, e que foi a oportunidade de desenvolver-se e produzir bens materiais e imateriais que mudaram a face do mundo sem ter como sustentação nem o poder político nem a riqueza familiar. Os 218 homens e mulheres que receberam votos serão incluídos numa base de dados interativa que ficará disponível aos visitantes do Museu.
Acima, o quadro em que o Museu mostra a quantas anda sua construção, que é informada no site http://www.nmajh.org/ , onde podem ser vistas as fotos da obra em progresso.
Essa transparência, mais a abertura para a participação popular, são aspectos interessantes do Museu. Foi por eleição direta (mais de 209 mil votos, vindos de 56 países) que foram escolhidas as primeiras 18 personalidades que terão suas vidas e obras retratadas na Galeria da Fama, devidamente chamada Only in America Gallery/Hall of Fame.
A Galeria incluirá nomes como Irving Berlin, Leonard Bernstein, Albert Einstein, Estée Lauder, Emma Lazarus, Golda Meir, Isaac Bashevis Singer, Steven Spielberg e Barbra Streisand. As realizações desses indivíduos ilustram um dos traços característicos da experiência dos imigrantes nos EUA, e que foi a oportunidade de desenvolver-se e produzir bens materiais e imateriais que mudaram a face do mundo sem ter como sustentação nem o poder político nem a riqueza familiar. Os 218 homens e mulheres que receberam votos serão incluídos numa base de dados interativa que ficará disponível aos visitantes do Museu.
1.3.09
O poder da propaganda nazista



A primeira imagem é de um cartaz do filme O Judeu Errante, de 1940.
O segundo poster informa: "Ele é o culpado pela guerra" (1932).
E o terceiro: "Por trás do poder inimigo, o judeu" (1942).
Reconhecer o risco do antissemitismo faz parte de qualquer agenda judaica. Mas um mínimo de bom senso recomenda desconfiar dos exageros que beiram o absurdo – como os e-mails que garantem que a França está se tornando um país inóspito para os judeus, ou que a Europa está às vésperas de ser dominada por bandos de nazistas enlouquecidos.
Como disse Freud, às vezes um charuto é apenas um charuto; e um incidente pode ser apenas um incidente. Entender isso não significa desprezar a maré montante dos chavões que até pouco tempo atrás eram típicos da direita e do nazi-fascismo e hoje são proclamados por certos setores da esquerda. À falta de outras utopias no horizonte, tais setores afirmam com insistência a “boa nova” de que há, no glorioso porvir dos povos árabes, uma iminente revolução libertadora posta em perigo pelos....judeus. Claro, quem senão os judeus para atrapalhar a vida dos outros?
Tudo isso a propósito da didática exposição que está no Museu do Holocausto, em Washington, intitulada: “State of Deception: The Power of Nazi Propaganda” [Estado de embuste: o poder da propaganda nazista]. As caricaturas foram poderosas armas de convencimento de milhões de pessoas assombradas pela crise econômica pós-1929. Funcionaram. Se os judeus eram mesmo tão pérfidos como a propaganda nazista os mostrava, então qualquer pacato cidadão alemão ainda não convencido rapidamente poderia admitir a justeza das políticas "necessárias" para que enfim chegassem os novos tempos anunciados pelo Terceiro Reich.
O poster que culpa os judeus pela guerra, por exemplo, é de 1932, quando os nazistas estavam em ascensão e eram o segundo maior partido no parlamento alemão.
Em artigo sobre a exposição no New York Times, Edward Rothstein diz que a propaganda nazista não apenas distorceu a realidade para costurar cuidadosamente um argumento comprovando a vilania judaica; ela recriou a realidade, aproveitando antigas crenças míticas sobre o caráter não humano e assassino dos judeus e incitando, portanto, à aceitação de qualquer ato violento contra eles. Acho que nada de sequer longinquamente comparável acontece hoje, mas não custa ficarmos atentos às variadas xenofobias (e não só contra nós) que aparecem por aí.
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