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1.12.10

Para Sempre Perlman

De Marcel Gottlieb, recebemos a mensagem.  
Segue abaixo a belissima cronica de meu amigo Clóvis Marques (http://opiniaoenoticia.com.br/cultura), um monumento no jornailsmo musical de nosso pais. Obrigado, Clóvis - os amantes da musica desta cidade agradecem !!!

Para sempre Perlman

Perlman dá a impressão de um espírito alerta, o que se traduz no brilho do olhar e no sorriso matreiro. Por Clóvis Marques

22/11/2010
Itzhak Perlman excursionou estes dias pelo Brasil com seu violino de sonho. Nós, os adoradores de sua arte inconfundível, aguardávamos ansiosos e um pouco temerosos: será que a idade pode comprometer o poder de sedução de um violinista?
Alguém lembrou, no recital do dia 15, no Teatro Municipal do Rio, que Yehudi Menuhin passou maus bocados na etapa mais avançada da carreira. Corria a década de 1980, quando ele ia além dos 70 de idade, e não eram raros os episódios de entonação duvidosa, notas saltadas, pressão inconstante do arco sobre as cordas, resultando em sonoridades estranhas…

Os pianistas, comentou meu interlocutor, evocando um concerto do velho Emil Gilels, avançam mais impolutos no tempo. Mas nem sempre: de minha parte, lembro do recital de um Claudio Arrau octogenário que me deixou perplexo com a mistura de soberana musicalidade, imperial convicção e fragilidade física…

Mas Perlman está com 65 apenas. Além da cabeleira prateada, sua figura não tem mais, é verdade, a robustez de outros tempos – ou da última vinda ao Brasil, em 1998. Ele está mais magro e parece um homem de idade. Quando se dirige ao público, contudo, a voz é o mesmo baixo ressoante que lhe rendeu participação especial no papel do carcereiro na gravação da Tosca de Puccini feita em 1981 por James Levine, com Scotto e Domingo. E Perlman também dá a impressão de um espírito alerta, o que se traduz no brilho do olhar e no sorriso matreiro.

Menuhin se baseava em uma filosofia e uma prática budistas para ambicionar em sua arte o equilíbrio corpo/mente de um arqueiro zen, o que não foi suficiente para eximi-lo das descontinuidades da velhice no trato do violino – nem da acusação de praticar menos do que deveria a partir de certa idade…
Perlman, de sua parte, tem uma concepção integrada da arte musical. Perguntei-lhe certa vez, numa entrevista, se a beleza do som, a adequação estilística, a fidelidade ao compositor ou a liberdade pura e simples é que mais importava ao tocar. "Nunca penso em termos de aspectos diferentes", respondeu ele. "Considero que o mais importante é fazer música, em seu sentido mais profundo. E o violino ajuda, pois vibramos com ele, o instrumento e o músico são uma coisa só."

É a mesma inteireza que constatamos, em seu caso, na fusão inconsútil de técnica e arte, expressão e sentimento, concentração e comunicação. No recital do outro dia, foi mais uma vez especial constatar como a variedade das peças – sonatas de Mozart, Strauss e Debussy – era observada, honrada e engrandecida sem prejuízo das características tão caras desse intérprete generoso e doador.

Tais características mudaram, claro. Talvez a sonoridade dourada e caramelada que o distinguiu sempre já não se projete com uma majestade tão plena e constante (ressalvo que eu estava a uma distância maior que a habitual). Aquilo que há dez ou vinte anos nos parecia vertiginosa insolência da perfeição (sonora, técnica, musical, expressiva, estilística), com o corolário de uma aparente falta de espontaneidade ou até vibração, já não se impõe com o mesmo fulgor. Perlman estaria menos altivo, mais próximo.

Mas a pureza tonal, a sutileza do vibrato e a extensão do legato, a plenitude do canto e a agilidade que se faz íntima com a música estavam lá, maravilhosas na delicadeza quase "neutra" de Mozart, na afirmação varonil dos temas imperiosos e das texturas quase orquestrais de um Strauss ainda juvenil, na linearidade diáfana e inquieta de um Debussy alquebrado pelo sofrimento no fim da vida.

É comum um artista do seu quilate – e mesmo, diria, de sua condição já mítica – ser acompanhado por um profissional de alto coturno que não se alça aos mesmos níveis de transcendência. O próprio Perlman, no entanto, já nos surpreendera aqui, da outra vez, com um pianista – Samuel Sanders, seu acompanhador durante cerca de três décadas – que entrava também com um manancial de individualidade e invenção. Alguns melômanos brasileiros se lembrarão do magnífico artista de pleno direito que foi, acompanhando Teresa Berganza na mesma época, o pianista Juan Antonio Alvarez Parejo.

Desta vez Perlman percorre o mundo (foi também ao Chile, seguindo para Japão e Coreia, depois de ter solado na abertura da temporada da Filarmônica de Nova York) com o pianista Rohan de Silva, originário de Sri Lanka, que pode não ter esbanjado sutileza (sobretudo no Mozart, quando ambos ainda estavam esquentando), mas não negou fogo no constante jogo do toma-lá-dá-cá com o parceiro.

Para encerrar o recital, um rosário de extras e bombons que vale, aqui, enumerar: uma Siciliana e rigaudon de Fritz Kreisler parodiando estilos antigos; a miniatura Ao pé da fogueira, do mineiro Flausino Vale (1894-1954); um tema da trilha do filme A lista de Schindler, composta por John Williams e consagrada por Perlman; um Caprice de Wieniavsky; o Tango de Albenis adaptado por Kreisler; a Dança húngara nº 1 de Brahms transcrita por Joseph Joachim e, para não deixar de terminar com todos os fogos de artifício, a Ronde des lutins de Basini.

E todos foram para casa felizes (Clóvis Marques - nov 2010)
***
Alguns grandes momentos de Itzhak Perlman (nascido em Tel-Aviv, Israel 1945), recomendados por Gottlieb:

Pablo Sarasate: "Zigeunerwiesen":
http://www.youtube.com/watch?v=wEmbFSiJzEQ
 John Williams: "A Lista de Schindler" - motivo principal:
http://www.youtube.com/watch?v=ueWVV_GnRIA
 Tchaikovsky: Valse Scherzo Op.23:
http://www.youtube.com/watch?v=8La4ix318GE
 Bach: Partita No. 3 em mi menor - Gavotte - aos 13 anos, trecho de um filme de Christopher Nuppen:
http://www.youtube.com/watch?v=DNo6AD9z1WQ
 9. Halvorsen: Passacaglia sobre um tema de Haydn - com Pinchas Zukerman                                              
http://www.youtube.com/watch?v=pAKA3rLENGU
Tocando Musica Klezmer:
http://www.youtube.com/watch?v=DkmFgQ9fM94&feature=related
Gardel: Por una Cabeza:
Perlman (com John Williams regendo):  http://www.youtube.com/watch?v=kigoRVhyaf4&feature=related
Filme - "Perfume de Mulher" (1992):  http://www.youtube.com/watch?v=dBHhSVJ_S6A&feature=related
Antonio Vivaldi: Concerto em re maior para 2 violinos - com Isaac Stern:
http://www.youtube.com/watch?v=76RnSbRyUqA
Para finalizar - "algumas coisas são fáceis para voce e dificeis para mim..." - MARAVILHOSO:
http://www.youtube.com/watch?v=z3richcoCUI&feature=related

12.10.10

Marcel Gottlieb: música para compartilhar

Toda quarta-feira, num auditório no Leblon, Marcel Gottlieb leva a um público entusiasmando, via DVDs de altíssima qualidade, as melhores orquestras e os melhores instrumentos do mundo, que passeiam pela obra de Beethoven, Mozart, Mahler, Stravinsky e muitos mais... Dono de vasta cultura musical e mente aberta, Marcel entremeia a apresentação das obras com informações que situam social e historicamente o que se ouve. Ele também organiza programas "a pedidos", e não só da chamada música clássica, pois entre os 3.000 DVDs de sua coleção há outros gêneros.

P: Como essa atividade começou?

R: Meus pais sempre trabalharam muito e eu fui criado pela minha avó, que era professora e dava aulas de Matemática em casa. Ela me ensinou quase tudo. Ela pedia para colocar os discos na vitrola, e me explicava as histórias das musicas e seus compositores, para que eu me motivasse mais a gostar da musica.

Tento fazer o mesmo em minhas palestras: meu objetivo é fazer com que, conhecendo mais, as pessoas consigam sentir mais prazer com a música.

Ha 14 anos, na piscina do clube, amigos meus me desafiaram , dizendo que só eu não reconhecia que a música de que eu gostava, com 200 anos ou mais, já tinha morrido e eu não conseguia ver. Pedi 15 minutos de crédito para fazer uma introdução e garanti que eles iriam gostar também. Fizemos uma reunião na minha casa e foi fácil. Em 15 minutos todas as pessoas que vieram ficaram apaixonadas pela ópera Carmen, de Bizet Comecei explicando como nasceu o livro de Mérimée, depois como Bizet fez a música, etc.... Ganhei a aposta e comecei a me entusiasmar com a atividade.

Os encontros que preparo dependem muito da opinião das pessoas que participam, na hora ou antes, me escrevendo o que acham e o que gostariam que eu apresentasse. A participação das pessoas é que me motiva.

Eu era colecionador de LPs e hoje coleciono vídeos musicais. Meu sonho é criar um ambiente em que as pessoas possam escolher seus programas, uma videoteca comunitária - um "Clube de Amigos" direcionado à musica.

P: Você toca algum instrumento?

R: Estudei piano, mas muito pouco. Gostaria de ter continuado. O motivo pelo qual  parei foi que minha professora era muiiiiiiiiito chata. E me acomodei e me distanciei de tocar. Sempre gostei de ouvir e me bastava. Hoje sinto pena de não ter prosseguido.


P: Viaja para concertos? Em geral, vai em busca orquestras ou de compositores? Quais os favoritos?

Viajo quando posso. Acabei de voltar de um "Nabucco", de Verdi, em Metzadá. INESQUCÍVEL !!! Busco o que gosto e de vez em quando o que eu não gosto, mas sinto que posso acabar gostando. Às vezes, me surpreendo e me apaixono pelo que não conhecia.

Fazendo um esforço para resumir, e esquecendo um mundo de favoritos, alguns deles são:
Orquestras: Filarmonica de Berlim, Israel, Concertgebouw, etc...
Regentes: Solti, Chailly, Jansons, Abbado, Furtwängler, Mravinsky, Bernstein, Barenboim, etc...
Violinistas: Vengerov, Shaham, Oistrakh, Heifetz, Perlman, Stern, etc...
Pianistas: Rubinstein, Horovitz, Barenboim, Lang-Lang, Nelson Freire, Arnaldo Cohen, etc...
Cantores: Maria Callas, Anna Netrebko, Dmitri Hvorostovsky, Peter Gottlieb (meu tio - baritono franco-brasileiro). E muiiiiiiiiiiiiiiiiitos outros


P: Qual é o seu acervo hoje? E a família, curte esse hobby?

R: A familia curte muito e me apoia intensamente. Eu gosto muito mais que os filhos (temos cinco) e a esposa compareçam aos encontros, mas acredito que eles também gostem de ir. Quando sei que vão gostar do tema aviso para irem.

Devo ter 3.000 vídeos. Mais de clássicos, ópera, rock, jazz e MPB. Estou catalogando para poder disponibilizar na videoteca. Já catalogamos 700 DVD's. Este "Clube de Amigos" vai ser muito bom.
 

24.6.10

Cabaré Canja Only Yuch

Brasil ganhou no jogo ? - Yuch para celebrar e para a ressaca!
Brasil perdeu ? (quase impossível) - Yuch para curar as tristezas

A milenar canja de galinha judaica, receita inesquecível, estará no palco do Teatro Candido Mendes no dia 28 de junho, a partir das 19h30m, em tempo real, servida a quem comparecer ao Cabaré Canja Only Yuch, montagem cujo título brinca com a música eternizada pelos The Platters nos anos 50.

Participam do espetáculo o engenheiro, inventor e oboísta Leo Fuks (criador de uma incrível e maravilhosa “orquestra” de bicicletas, a Cyclophonica), o ator Sergio Stern e o violonista e compositor Eduardo Camenietzki.

7.3.10

Banda Hadag Nahash

A premiada e super-popular banda israelense Hadag Nahash, que está lançando seu quinto CD, combina hip hop, rock, reggae e funk. Talentosos e antenados com os problemas da sociedade israelense, são músicos que abordam com vigor e criatividade temas como serviço militar, paz, economia, relações com os árabes e vida cotidiana.

3.11.09

Música e dança

“Let’s Face the Music and Dance,” música e letra de Irving Berlin, é de 1936, momento de graves dificuldades econômicas nos EUA e ascensão do nazismo na Europa. A lembrança vem a propósito do lançamento do livro A Fine Romance: Jewish Songwriters, American Songs, de David Lehman (Nextbook Press). Como se sabe, compositores judeus legaram ao imaginário americano suas mais populares canções, inclusive natalinas...Aqui, Fred Astaire dá seu show:



Nascido na Sibéria em maio de 1888, com o nome de Israel Baline, o compositor chegou a Nova York com a família em 1893. Criado em ambiente de extrema pobreza, mal frequentou escolas e seu primeiro trabalho, ainda criança, foi cantar em troca de moedas nas esquinas. Abaixo, ao lado de Alice Faye, Tyrone Power e Don Ameche

1.3.09

De Villa-Lobos para Israel



Um facsímile de Odisséia de uma Raça (Poema Sinfônico), de Heitor Villa-Lobos, composto em 1953, por ocasião do quinto aniversário do Estado de Israel, faz parte agora do acervo do Museu Judaico (doação de Adolfo Berditchevsky). A obra foi apresentada em primeira audição mundial em Haifa, pela Filarmônica de Israel, sob a regência de Michael Taube, em 1954. Quem sabe alguém se anima a repetir a dose, aqui, neste ano de tantas homenagens ao compositor pelo cinquentenário de sua morte?

No final da partitura, o compositor adicionou três linhas ao povo judeu (ele falou em raça, equívoco comum na época....): “Na formação do Universo, Deus criou uma raça heróica que viveu e sofreu, mas venceu em Israel”.

O consultor musical do Museu Villa-Lobos, Marcelo Rodolfo, acredita que o original da partitura tenha sido doado ao Estado de Israel. Ninguém sabe onde foi parar. O Museu, em Botafogo, está digitalizando as obras do compositor e merece uma visita. Ao vivo ou no site http://www.museuvillalobos.org.br/