30.9.10
Nuremberg procura donos judeus de 10 mil livros roubados
16.9.10
Assim é se lhe parece....(olha o photoshop!)
13.9.10
Liberdade para tocar o shofar
O vídeo mostra aqueles que chegaram a passar até seis meses nas cadeias do Mandato Britânico da Palestina por tocarem o shofar no Kotel Hamaaravi (Muro Ocidental ou Muro das Lamentações), liberado somente em 1967, na Guerra dos Seis Dias. Os ingleses proibiam os judeus de rezar no Kotel e ali tocar o shofar no Ano Novo para "não ofender os muçulmanos". Entre 1948 e 1967, quando a Jordânia dominou Jerusalém Oriental, os judeus foram proibidos até de entrar na Cidade Velha de Jerusalém. Com a derrota árabe em 1967, finalmente os judeus puderam voltar a rezar e tocar o shofar no Kotel.
Peregrinação judaica
Aproximadamente 30.000 peregrinos – todos homens, a maior parte ultraortodoxos ou hassídicos— se reuniram em Uman, Ucrânia, neste Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, junto ao túmulo do rabino Nahman de Breslev, que morreu há dois séculos. O rabino foi um dos maiores pensadores do hassidismo, movimento religioso que surgiu no século XVIII, e é venerado como um tsadik (santo).
A peregrinação atrai cada vez mais judeus do mundo inteiro, inclusive muitos brasileiros. Ela ocorre num dos locais onde a história do judaísmo europeu oriental foi mais trágica: em 1728, um pogrom exterminou mais de 20 mil judeus, e durante a Segunda Guerra dezenas de milhares foram mortos pelos nazistas. Mas quem viaja a Uman, agora, não está em busca de explicações históricas ou recordações negativas; em clima de extremo júbilo e confraternização, o que se vê é gente cantando e dançando nas ruas.
Abaixo, artigo de Henrique Veltman sobre o documentário, Yippee, que o diretor norte-americano Paul Mazursky rodou em Uman.
Após uma visita ao oculista, Paul Mazurski, aclamado diretor do cinema americano, resolve acompanhá-lo numa peregrinação à pequena cidade ucraniana de Uman, em busca do que 20 mil judeus oriundos de todo mundo descrevem como “o mais completo sentimento de felicidade que encontram a cada passagem do Rosh Hashaná”.
Para o oculista, a peregrinação é uma celebração à vida, em que espiritualidade e festa se misturam. “Porque, afinal, Deus é alegria”. Uman tem um significado histórico para os hassidim: foi lá que, há uns duzentos anos, milhares deles foram mortos num pogrom. Como uma homenagem àquelas vítimas, Uman foi o lugar escolhido pelo Rabino Nachman de Bratislav para ser enterrado, em 1810. Ele pregava que a iluminação independe de sangue nobre ou algo parecido. Segundo o sábio são os feitos, o próprio esforço e a escolha dos atos que levam o homem à luz. Dizia que todos os judeus poderiam alcançar a glória e a mais alta plenitude espiritual. “Muitas pessoas acreditam que as histórias são contadas para fazer as pessoas dormir. Eu conto as minhas para acordá-las", dizia o rebe.
No filme, explica-se que o rabino deixou uma mensagem, que visitassem seu túmulo no Rosh Hashaná, assim ele interviria no julgamento dos Dias Temíveis.
Yippee é Paul Mazursky, ele mesmo diante da câmara. As pessoas com quem ele conversa são elas próprias; sua viagem à Ucrânia é real; e os eventos que ele documenta estão acontecendo de verdade naquele momento. Não se trata de um documentário profissional sobre a peregrinação a Uman, nem sobre as suas (de Mazursky) raízes judaicas. O estilo amador é o grande trunfo do filme, dessa Doc comédia; ele até não se leva muito a sério, e esta, talvez, seja a maior virtude do filme.
O avô de Mazursky saiu de Kiev, na mesma Ucrânia de Uman, “para fazer a América”. Mas o neto confessa-se ateu. O efeito de comédia vem justamente desse distanciamento de Mazursky em relação aos rituais da fé religiosa. Isso o leva a ressaltar o humor das cenas de judeus dançando nas ruas. Explora o aspecto cômico das roupas, das cantorias etc. E também das condições enfrentadas por sua equipe. Mazursky saiu de Los Angeles com uma equipe mínima e 40 mil dólares do próprio bolso. Transporte, hospedagem e alimentação ficam muito próximos do que poderíamos classificar de penúria, o que oferece ótimos motivos para piadas tipicamente judaicas.
Em vários momentos do filme, Paul se apresenta aos hassidim e aos ucranianos como um cineasta muito famoso em Hollywood. O que ele realmente é, ou foi. Seja escrevendo, atuando, produzindo ou dirigindo, sua ligação com o cinema ultrapassou todas as barreiras. Foi indicado ao Oscar cinco vezes, mas também concorreu ao Globo de Ouro, à Palma de Ouro em Cannes e ao Urso de Ouro em Berlim, formando uma carreira vitoriosa que contabiliza 13 prêmios ao longo dos seus 56 anos de atuação. Entre seus principais filmes, em que escreveu, produziu e dirigiu, destacam-se "Bob e Carol & Ted e Alice" ,"Uma Mulher Descasada", "Luar sobre Parador" (estrelado pela nossa Sonia Braga), "Um Vagabundo na Alta Roda", "Moscou em Nova York", "Inimigos, Uma História de Amor", “Próxima Parada, Bairro Boêmio”.
Em tempo: Yipee é a expressão de alegria e comemoração por mais um dia de vida.
12.9.10
Fidel, judeus e antissemitismo
Abaixo, o trecho sobre antissemitismo e Ahmadinejad (by Jeffrey Goldberg, tradução Paulo Migliacci).
" Fidel deu início ao nosso primeiro encontro me contando que lera com atenção meu recente artigo para a "Atlantic", e que o texto confirmava que EUA e Israel se encaminham de forma acelerada e gratuita a um confronto com o Irã. A interpretação não surpreende, claro: Fidel é o avô do antiamericanismo no mundo inteiro, sempre foi um severo crítico de Israel.
A mensagem de Fidel a Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã, não era tão abstrata, no entanto. Nessa primeira conversa, que durou cinco horas, Fidel retomou repetidas vezes suas críticas ao antissemitismo. Criticou Ahmadinejad por negar o Holocausto e explicou por que o governo iraniano serviria melhor à causa da paz caso reconhecesse a história "única" do antissemitismo e tentasse compreender por que os israelenses temem por sua existência.
Ele abriu essa discussão descrevendo seus primeiros contatos pessoais com o antissemitismo, quando era criança. "Lembro de quando era menino, muito tempo atrás, com cinco ou seis anos de idade, e morava no interior", disse. "Lembro da Sexta-Feira Santa. A atmosfera que uma criança respirava naquele dia era a de 'Silêncio, Deus morreu'. Deus morria todo ano, entre a quinta e o sábado da Semana Santa, e deixava todos muito impressionados. O que havia acontecido? E as pessoas respondiam que 'os judeus mataram Deus'. Atribuíam aos judeus a culpa pela morte de Deus! Percebe como era?"
Prosseguiu: "Bem, eu não sabia o que era um judeu; conhecia um pássaro que era chamado de 'judía', e para mim judeus eram aqueles pássaros. Eram aves de bico longo. Não sei por que tinham esse nome. É o que me lembro. Era esse o nível de ignorância da população inteira".
DIFAMAÇÃO Fidel afirmou que o governo iraniano deveria compreender as consequências do antissemitismo teológico. "Isso durou por talvez 2 mil anos", disse. "Não acredito que alguém tenha sido mais difamado que os judeus. Eu diria que foram muito mais difamados que os muçulmanos. Sofreram mais difamação do que os muçulmanos porque foram culpados e difamados por tudo. Ninguém culpa os muçulmanos por coisa nenhuma."
O governo iraniano deveria compreender que os judeus "foram expulsos de sua terra, perseguidos e maltratados no mundo inteiro, porque eram vistos como responsáveis pela morte de Deus. Na minha opinião, foi isso que aconteceu a eles: seleção reversa. E o que é seleção reversa? Ao longo de 2 mil anos, foram sujeitos a terríveis perseguições e 'pogroms'. Seria de presumir que desaparecessem; creio que sua cultura e religião os mantiveram unidos como nação". E prosseguiu: "Os judeus viveram uma existência muito mais difícil que a nossa. Nada se compara ao Holocausto". Pergunto se diria a Ahmadinejad o que estava me dizendo. "Estou dizendo o que digo para que você divulgue", respondeu ele.
Fidel continuou, analisando o conflito entre Israel e Irã. Disse compreender os temores iranianos de agressão pelos israelenses e americanos, e acrescentou que, em sua opinião, as sanções dos EUA e as ameaças de Israel não dissuadirão a liderança iraniana de sua busca por armas nucleares. "O problema não vai ser resolvido, porque os iranianos não vão recuar diante de ameaças externas. É essa minha opinião", disse.
Em seguida apontou que, diferentemente de Cuba, o Irã "é um país profundamente religioso", e disse que líderes religiosos são menos propensos a compromissos. Enfatizou que até mesmo a laica Cuba resistiu a variadas exigências americanas ao longo dos últimos 50 anos".
10.9.10
Livro aborda conceito de raça (por Vilma Homero*)
A historiadora Lilia Schwarcz resume bem o espírito do livro: "Raça sempre deu muito o que falar: no exterior, mas sobretudo no Brasil, país identificado desde o século XVI com base em sua natureza exuberante, mas suas 'gentes um tanto estranhas'. Por aqui, o tema proliferou, seja em perspectivas positivas e alentadoras, seja com visões mais negativas. Se a representação onírica, próxima à máxima romântica do 'bom selvagem' revelou-se vitoriosa até o século XIX, é desde esse momento que noções mais pessimistas, ligadas às teorias científicas raciais, tenderiam as inverter os termos da equação. De jardim edênico, nos convertíamos em laboratório (degenerado) de raças. E é nesse contexto que se inicia a bela e sólida parceria entre Ricardo Ventura Santos e Marcos Chor Maio. Dando continuidade a vários trabalhos conjuntos que vêm realizando há longa data, Maio comenta: "O livro é também uma comemoração dessa parceria."
Em Raça como questão, eles traçam um apanhado desde o século XIX, analisando como o tema foi tratado em diferentes períodos, enfocando questões que durante certo tempo moldaram o pensamento dominante, como o higienismo, os estudos que se fazia sobre a mestiçagem ou os modelos da antropologia física, por exemplo. No artigo que abre o livro, "Entre a Riqueza Natural, a Pobreza Humana e os Imperativos da Civilização, Inventa-se a Investigação do Povo Brasileiro", de Jair de Souza Ramos e do próprio Maio, os autores refletem sobre os trabalhos de três autores: Nina Rodrigues, Sílvio Romero e Euclides da Cunha. "O foco de nossa reflexão é a trajetória da apropriação das teorias raciais europeias no Brasil e os desafios dos intelectuais na busca de soluções originais com vistas a fazer do Brasil um país civilizado. Nesse período, predomina um determinismo climático e racial no pensamento desses autores, que, apesar disso, por vezes apresentam argumentos socioantropológicos, questionando a base dessas teorias deterministas", segundo Ramos e Maio.
Num dos capítulos seguintes, Ricardo Ventura Santos se debruça sobre os estudos da Divisão de Antropologia do Museu Nacional, especialmente sobre o trabalho de intelectuais, como Batista de Lacerda e Roquette-Pinto, que por lá passaram entre o final do século XIX e início do XX. Surpreende, por exemplo, o pensamento do antropólogo Roquette-Pinto, que, na contramão de um pensamento reinante naqueles primórdios do século passado, afirmava: "os homens cultos do planeta mostram-se índios de pele branca, cobertos por uma crosta, mais ou menos espessa, de verniz brilhante." Para Roquete-Pinto, sob uma camada de cultura retrógrada ou avançada, encontrava-se um ser humano essencialmente igual em seu potencial, fosse ele europeu ou um índio da Serra do Norte. Ao que Santos avalia: "Se Roquette-Pinto apoia-se em modelos racializados em suas análises antropológicas, sua ênfase não está na existência de hierarquias no plano das potencialidades. Sob seu tom poético, está expressa a noção de que as diferenças residem menos na constituição racial/biológica do que em fatores ligados à cultura e à civilização, metaforicamente representados pela crosta de verniz brilhante." É nesse ponto que, segundo Santos, Roquette-Pinto se distingue das análises e perspectivas sobre indígenas reinantes à época.
Há artigos que abordam questões polêmicas. Em "Antropologia, Raça e os Dilemas das Identidades na Era da Genômica", analisa-se a recepção social dos estudos da equipe do geneticista Sérgio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pena e colaboradores abordaram aspectos da ancestralidade genética do minúsculo povoado de Queixadinha, no Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais. "Retrato Molecular do Brasil" sugere que, no país, haveria baixa associação entre aparência física e ancestralidade genômica. Conforme demonstram Santos e Maio, as recepções foram bastante diversas. Enquanto para o ativista do movimento negro Athayde Motta, a pesquisa "seria um simulacro de suporte científico para... injetar sangue no moribundo mito da democracia racial, (...) cuja primordial função é a de manter o estado de desigualdades raciais no Brasil", para M.X. Rienzi, de um grupo de extrema-direita europeu, a conclusão sobre a inexistência de raças seria "uma peça ideológica travestida de ciência". O capítulo analisa como as evidências científicas são apropriadas pela sociedade, o que depende de contextos sócio-políticos particulares.
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Marcos Chor Maio agora também se empenha no próximo lançamento de um outro livro: a publicação da dissertação de mestrado da cientista social e psicanalista Virginia Leone Bicudo, que estudou na Escola de Sociologia e Política de São Paulo sob a orientação do sociólogo Donald Pierson. Negra, ela foi uma das pioneiras da psicanálise no país. O livro faz parte das atividades do projeto "Encontro entre Antropologia, Sociologia e Psicologia Social na produção intelectual sobre raça e racismo no Brasil (1930-1950)", apoiado pela FAPERJ, na modalidade Auxílio à Pesquisa (APQ 1). Integrante da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Virgínia estudou em Londres (1955-1960), onde fez cursos no Instituto de Psicanálise da Sociedade Britânica e se especializou em psicanálise da criança na Tavistock Clinic. Manteve estreito contato com a psicanalista Melanie Klein. Organizado por Maio, Estudo de Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo será publicado pela Editora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com lançamento previsto para o dia 11 de novembro, durante o Seminário Internacional de Sociologia: 50 anos de Brasília e 40 anos do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UnB.
© FAPERJ – Todas as matérias poderão ser reproduzidas, desde que citada a fonte.
7.9.10
6.9.10
A guerra bate à porta: relações entre judeus e muçulmanos em Marselha durante a Guerra do Golfo (1991)
5.9.10
Troca de culturas e idish na França (por Lilian Brower-Gomes)
Todas as oficinas - música, dança, canto, teatro, idish - contribuíram com os seus trabalhos, os participantes se vestiram a caráter, o texto foi apresentado em idish, francês, português e em langue d'oc, a prefeitura colocou seu local à disposição para que partes do texto fossem ditas a partir das suas janelas, todas as gerações participaram enquanto diferentes personagens.
Essa peça de Peretz de 1904 nunca foi integralmente montada pois pede mais de cem personagens, crianças, jovens, adultos e velhos, e um cenário e um jogo de luzes extremamente sofisticado, se seguimos as indicações do autor. Montamos uma versão curta em uma semana, com a participação de cerca de 60 pessoas (não ao mesmo tempo), entre músicos, cantores e bailarinos. A língua de base foi o francês mas muitas réplicas foram em idish, algumas em português e algumas em langue d'oc. Mas mesmo se esse ano a base foi o francês foi uma grande emoçao a presença de tantas outras línguas.
A peça durou pelo menos 1h15 minutos e deu para passar a emoção e a tensão do texto- tal como entende Batia Baum, professora e tradutora do idish para o francês. A peça não é fácil de ser compreendida, pois não há uma trama e pequenas cenas dão acesso numa esfera simbólica à complexidade das relações políticas, religiosas, sociais e pessoais em planos "intra e extra" judaicos. Peretz havia participado de um trabalho de pesquisa junto às populações judaicas na Polônia, principalmente no distrito de Tomashover. A peça é abrangente e aborda temas humanos mais gerais, dentro dos parâmetros judaicos tradicionais mas também a partir da ótica do advogado de cidade grande que ele era.
Batia Baum acha que Peretz pensou nessa peça como uma comédia musical e que os textos, escritos em forma de verso, podem ser cantados. É o que vamos tentar fazer ao longo dos cinco anos que vai durar esse projeto. Um tempo para conhecer melhor a obra de Peretz, um tempo para criar um "encontro" entre a cidade do velho mercado e a cidade de Bréau, com suas histórias, suas imagens, ssuas músicas, suas tradições, um tempo para caracterizar a época e seus movimentos culturais, políticos e religiosos dentro do mundo judaico e sua relação com o mundo em geral, um tempo para sair pelo mundo remontando a peça com quem quiser participar.
PS : Sem falar nas oficinas de "tango judio" que se improvisaram na praça a pedido dos participantes, com o Walter Sztajnberg como professor !
3.9.10
Elie Wiesel sobre moralidade: nenhum ser humano é ilegal
"Um pai que não pode alimentar seus filhos tem os direitos humanos tão violados quanto se fosse perseguido politicamene. E nenhum ser humano é ilegal. O ser humano pode fazer algo ilegal, mas não pode ser ilegal...", disse. "E o coração judaico, a compaixão judaica, a moralidade judaica, a consciência judaica? Fui criado numa tradição diferente. Já fui refugiado, de modo que tenho empatia com todos os refugiados".
Leia a entrevista (em inglês) em http://www.jpost.com/Features/InThespotlight/Article.aspx?id=186739
31.8.10
Em língua galega, a favor de Israel
Vejam essa entrevista do presidente da Associação Galega de Amizade com Israel. Em galego, que é fácil de entender: usa-se o X no lugar do J, o que acaba fazendo o sotaque deles parecer-se com o dos cariocas...
Entrevista en XORNAL DE GALICIA 29.08.2010
Unha entrevista de Ricardo Rodríguez con Pedro Gómez-Valadés
Israelís e palestinos sentarán por vez primeira dende a devastadora operación Chumbo Fundido (2008) a negociar cara a cara en Washington o vindeiro día dous de setembro. Obama quere a solución dos dous estados o antes posíbel. Pero malia o intenso labor diplomático de EE UU, a paz semella estar lonxe. Porén, para Pedro Gómez-Valadés, presidente da Asociación Galega de Amizade con Israel (Agai), "como observador do conflito cómpre ser ideoloxicamente optimista, aínda que os feitos ás veces teimen en demostrar o contrario". A fundación desta organización en 2006, que lle custou en 2008 a expulsión do Bloque Nacionalista Galego, tiña coma obxectivo "dar outros puntos de vista sobre o conflito" palestinoisraelí ao "entender que a información que recibe o cidadán galego non se axustaba en moitas ocasións á obxectividade" e está "condicionada". AGAI naceu tamén para recuperar a pegada das comunidades xudías en Galicia antes do decreto de expulsión de 1492 e loitar contra a banalización e o esquecemento da Shoah, o Holocausto.
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Este é un conflito no que non hai nin brancos nin negros, senón unha infinita gama de grises. Non é un western de bos e malos, pero téndese a simplificar: israelís malos e palestinos bos. Habería moitos exemplos desa visión nesgada. Vou poñer un dos últimos. O incidente na fronteira norte de Israel e sur de Líbano no que hai un cruzamento de fogo e morre un israelí e tres libaneses a primeiros de agosto. Iso foi recollido coma unha provocación israelí. Hai uns días, saíu o ditame da Finul que asegura que o incidente foi orixinado por unha árbore que estaban cortando os israelís. Agora confírmase que a árbore estaba en territorio israelí e que os que abriron fogo foron os libaneses. De entrada, antes de saber que pasara, xa se acusaba dunha nova provocación a Israel.
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Cal é a solución a corenta e tres anos de ocupación militar de Palestina por parte de Israel?.
O problema debería resolverse con dous estados para dous pobos. Non haberá paz na zona mentres palestinos e israelís non poidan ter estados seguros e estábeis e vivir na mellor das veciñanzas posíbeis. Ese é o horizonte que todas as negociacións se marcaron. Sen dous estados poderá haber tempo de tranquilidade, pero non vai haber paz. En Cisxordania, hai asentamentos que son ilegais para a propia Xustiza israelí. Pero eu penso que ese non é o problema. En Gaza, cando Israel evacúa a faixa en 2005 por completo, levántanse todos os asentamentos. Eu penso que todo é negociábel e todo é resolúbel, aínda que algunhas cuestións son máis difíciles de arranxar. Alén de problemas obxectivos, hai problemas vinculados a cuestións moi emotivas, coma Xerusalén, que poden presentar dificultades. Pero coido que a resolución de todos os problemas no seu conxunto –incluída a indemnización a todos os israelís que foron expulsados dos países árabes despois de 1948, e cuxas propiedades foron confiscadas– é posíbel sempre que non haxa condicións previas.
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O Cuarteto para Oriente Próximo pide que se respecte para Palestina a liña de 1967, que inclúe Xerusalén Este, anexionada por Israel..
Si, efectivamente, o Cuarteto expresouse así, e esa é unha das liñas que están enriba da mesa. Na miña opinión, é difícil que a liña de 1967 estritamente vaia ser a fronteira definitiva. Hai propostas de intercambio de territorios que estaban en Cisxordania e nos que agora hai asentamentos xudeus de 45.000 habitantes por outros que están dentro de Israel para compensar territorialmente os dous estados. Israel propuxo facer unha comunicación terrestre entre Gaza e Cisxordania para que os dous territorios palestinos estivesen conectados. Iso sería unha cesión de territorios que non estaba contemplada en ningún acordo previo. Non hai que estar negociando pensando en como responsabilizar á outra parte do fracaso das conversas. É irreal que en Washington se vaian solucionar todos os problemas de vez.
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É posíbel que o punto de partida para estas negociacións sexa tan xusto para Palestina coma para Israel?.
Non só é posíbel, é que ten que ser. Se non fose así, o conflito non sería nunca resolúbel. A parte palestina non está soa. Na comunidade internacional, ten importantes valedores, coma a Liga Árabe e mesmo EE UU, que pretende exercer un papel neutral. Hai que ser optimista ideoloxicamente aínda que a forza dos feitos ás veces fai complicado selo. Hai uns días houbo unha xuntanza en Damasco na que participou Hamás, pero tamén outros grupos seculares que tradicionalmente apoiaban á ANP. Xuntáronse para negar a lexitimidade ás negociacións directas e condenar o proceso. Evidentemente, un proceso de paz que non se pode desenvolver en todos os territorios é complicado. Hai un problema interpalestino que teñen que resolver os propios palestinos. Coido que neste proceso haberá chanzos. Haberá un proceso para desenvolver o propio acordo despois de que se acade. Pero se en Gaza Hamás non recoñece a soberanía da ANP, complicarase todo. Hai un factor engadido neste proceso de negociación que se abre e non estaba patente dun xeito tan radical en Camp David ou Oslo: o islamismo radical.
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A longa ocupación militar desgastou a poboación en Cisxordania. Non desequilibra iso a balanza a favor de Israel no punto de partida das negociacións?.
Cisxordania está administrada militarmente, pero o medre económico nos últimos dous anos é moi superior ao de calquera país da contorna árabe. A situación mellorou. A maior parte dos palestinos queren vivir en paz e que os seus fillos poidan estudar e traballar e manter unha familia. O desgaste da guerra condiciona os dous lados. Eu coñezo palestinos e israelís. Todos están cansos, esgotados polo conflito. Evidentemente, iso pesa coma unha lousa en calquera proceso de negociación. Pero o que hai que facer é aproveitar ese cansazo colectivo das dúas sociedades por anos de guerra e de morte para avanzar cara a un acordo que non será o ideal para as dúas partes. Israelís e palestinos van ter que facer concesións dolorosas en eidos nos que ningunha das dúas o farían motu proprio. As dúas sociedades, a israelí e a palestina, queren e necesitan a paz. Estas son grandes palabras que logo teñen que traducirse nunha realidade e iso é o máis difícil. Hai un punto que non xustifica o que ocorre actualmente, pero que axuda a entendelo: en 1948, cando naceu o estado de Israel, puido ter nacido o estado palestino. E sesenta e dous anos despois non estariamos a falar do conflito. O problema agroma cando os países limítrofes non recoñecen as resolucións da ONU e inician unha guerra contra o nacente estado de Israel.
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É o ultradereitista ministro de Exteriores israelí Avigdor Lieberman un atranco para forxar un acordo de paz entre as dúas partes?.
O primeiro ministro é Netanyahu e a autoridade tena el. O venres lía unhas declaracións de Lieberman nas que afirmaba que se excluía das negociacións porque cría que estaban condenadas ao fracaso, pero que non as ía entorpecer. O problema de Lieberman ás veces é máis imaxinario ca real. O día que el e o seu partido se neguen a algo en concreto haberá que ver a que se opón. Polo momento, non se sabe se vai ser un problema ou non. O certo é que a moratoria que hoxe revisa o consello de ministros de Israel tiña o apoio do partido de Lieberman. As dúas partes non son homoxéneas, haberá partes dispostas e outras contrarias ao acordo. Pero Netanyahu é un presidente que en Israel ten moita autoridade moral e hai que darlle un voto de confianza.
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Netanyahu aspira nas negociacións a desmilitarizar Palestina e nega o dereito de retorno dos refuxiados palestinos. Non son demandas moi duras de entrada?
.As condicións de partida nacen dunha guerra. Pode ser unha condición dura, pero partindo dunha guerra é unha condición razoábel. A desmilitarización do futuro estado palestino sería provisional, non eterna, até que se dean as condicións de confianza necesarias para esquecer que levan 62 anos en guerra. Se hai un acordo de paz e non tes intención de atacar o veciño, podes pasar 20 anos sen exército. En canto aos refuxiados, ese é outro dos aspectos que ten que ver coa disparidade coa que se trata o conflito. Non hai moito, ditouse unha sentenza do Tribunal de Xustiza Europeo contra os refuxiados grecochipriotas que reclamaban o dereito de retorno e as indemnizacións polas propiedades confiscadas na invasión do 74 dos turcos. O tribunal di que non hai lugar á reclamación. Para Palestina, facer unha concesión no dereito de retorno vai ser doloroso, o cal non quere dicir que o dereito se negue. En calquera acordo final, os palestinos refuxiados poderán volver ao estado palestino que se constitúa. En canto a volver ao territorio do estado de Israel... Penso que esa será unha das concesións [palestinas] do acordo final. A absorción dos tres ou catro millóns de refuxiados palestinos por parte de Israel non é posíbel. Terá que compensarse aos que non poidan regresar.
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Considera que o bloqueo a Gaza é un castigo colectivo de Israel á poboación por ter votado a Hamás, como se sinala no informe Goldstone?
.En política internacional, hai cousas xustas e inxustas. Eu podo dicir que estiven na fronteira israelí con Gaza falando con moita xente e non atopei a ninguén na parte israelí que queira manter o bloqueo. O embargo está estabelecido porque dende 2005 Hamás e outros moitos grupos dende dentro da faixa de Gaza comezaron un conflito de desgaste, co lanzamento de foguetes contra á poboación civil israelí. Penso que un bloqueo non é positivo, pero este foi obrigado. En Cisxordania, dende hai un ano, desmanteláronse máis da metade dos check points porque a situación na zona é tranquila, e as forzas palestinas van asumindo responsabilidades e son máis fiábeis. Así que os controis vanse eliminando porque son incómodos e fan difícil a vida á xente normal. En Gaza, se mañá Hamás renuncia ao terrorismo coma arma política, pasado mañá Israel levantaría o bloqueo.
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As conversas de paz suspendéronse en 2008, tras o inicio da operación Chumbo Fundido contra Gaza, que deixou 1.400 palestinos mortos. O asalto á Frotiña acabou de deteriorar a imaxe internacional de Israel. Obviamente....
Eu lanzo unha pregunta. Antes da operación Chumbo Fundido e do asalto á Frotiña, os medios de comunicación trataban de xeito moi diferente o conflito e responsabilizaban de xeito diferente ás partes? Eu penso que non. Evidentemente, nin a operación Chumbo Fundido nin o asalto á Frotiña beneficiaron a imaxe de Israel, pero a visión da realidade é moi diferente. Eu coñezo correspondentes en Israel que off the record recoñecen que non todo o que eles transmiten dende a zona se publica. Se algo é doadamente utilizábel contra Israel, ten mais posibilidades de ser publicado. Vou poñer un exemplo. Na madrugada deste mércores houbo disturbios no barrio [palestino] de Silwan en Xerusalén. O motivo era a sentenza de derrube de casas árabes en Xerusalén. Iso en calquera outra cidade do mundo non sería noticia porque sería cumprir a lexislación urbanística. Pero aquí politízase. Despois dun proceso de anos de tribunais, hai 22 casas con sentenza de derrube e outras 66 ás que se lle dá licencia con efectos retroactivos.
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Hai organizacións israelís que falan de violencia administrativa de Israel cara os palestinos para expulsalos de Xerusalén Este..
Iso é algo que se di. Eu teño escoitado outras opinións, mesmo que o concello de Xerusalén facilita en árabe a documentación para que se poidan tramitar as licenzas urbanísticas. Se ti entrevistas en Vigo a calquera persoa implicada nun problema urbanístico, a crítica que fará da Administración será esmagadora e poderá ter ou non razón. Nun terreo en conflito coma ese pode haber problemas de interpretación. Eu non penso que se derruben casas para gañar terreo. Se o que queres é gañar territorio, abondaría con ampliar os asentamentos a 60.000 habitantes.
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A ameaza nuclear iraniana é o grande problema exterior de Israel?
.O pobo israelí sufriu o Holocausto e unha ameaza nova non a toma de broma. Irán é un problema pola posibilidade de que se dote de poder nuclear. O seu brazo armado, Hezbollá, e outros grupos pequenos poden cometer atentados sen render contas. Estou pensando nun escenario no que Irán tivese capacidade nuclear para que un grupo pequeno faga estoupar unha bomba sucia no centro de Tel Aviv ou en Xerusalen ou en Madrid. Israel vai atacar Irán? As declaracións públicas son que Israel non pode permitir que a ameaza iraniana se consolide. Que quere dicir iso? O tempo dirao. Eu penso que as sancións aplicadas, se se executan con contundencia e sen vías de auga, poden facer recapacitar a Ahmadineyad.
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30.8.10
Banqueiro alemão incendeia debate sobre imigração com tiradas "racistas"
"Todos os judeus partilham um gene comum. E isso faz deles pessoas diferentes das outras." Estas afirmações incendiárias de Thilo Sarrazin, ontem numa entrevista ao "Welt am Sonntag", marcam o regresso do fantasma do racismo à política alemã e em particular ao debate sobre a imigração. Membro do conselho executivo do Banco Central alemão e antigo ministro das Finanças de Berlim, Sarrazin tem a cabeça a prémio depois de todos os partidos alemães terem exigido a sua demissão do Bundesbank.
A chanceler Angela Merkel deu voz à condenação generalizada dizendo que as considerações de Sarrazin são "difamatórias". Guido Westerwelle, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do FDP - parceiro "júnior" na coligação com a CDU de Merkel -, admite que todas as afirmações que "promovam o racismo ou o anti-semitismo não têm lugar no discurso político" germânico. Também Os Verdes não hesitam em dizer que Sarrazin "prejudica a imagem do banco" e "incita ao ódio" enquanto o SPD, partido de Sarrazin, lida com o incómodo acenando com a hipótese de expulsão. "Se o senhor Sarrazin não abandonar o partido de forma voluntária, vamos iniciar o procedimento de expulsão", disse à "Spiegel" Christian Gaebler.
Apesar da indignação, a verdade é que as palavras de Sarrazin não apanharam ninguém desprevenido. Aos 65 anos, o veterano político alemão tem um currículo extenso de tiradas racistas, especialmente quando o tema é a imigração. Aliás, Sarrazin prepara- -se para justificar os seus argumentos num polémico livro chamado "A Alemanha em Queda". Resumindo o argumento, Sarrazin defende que os imigrantes muçulmanos são menos inteligentes, vivem às custas do Estado e como têm muito mais filhos que os alemães podem tornar-se maioritários absorvendo o país.
Críticas que levaram o presidente da Federação Turca da Alemanha, Kenan Kolat, a pedir a demissão do responsável pelo departamento de controlo de risco do Bundesbank: "É o clímax do novo racismo intelectual e prejudica a imagem da Alemanha", sustenta Kolat. Naturalmente, também o grupo Conselho de Judeus na Alemanha repudia as palavras e argumentos "genéticos" de Sarrazin.
Em Outubro de 2009, Thilo Sarrazin mostrou pela primeira vez ao que vinha. Numa entrevista polémica, disse que 20% da população de Berlim era economicamente dispensável. "Uma grande parte de árabes e turcos nesta cidade, cujo número cresceu devido às políticas erradas, não tem qualquer função produtiva para além de vender fruta e vegetais." No ano passado, Sarrazin escapou à demissão. Agora, tudo aponta para que tenha menos sorte.
26.8.10
Banda do Exército de Israel na Praça Vermelha
Nosso pensamento vai bem longe... mas não vale chorar ao clicar para ver.
16.8.10
PARA NÃO FALAR COM O ESPELHO (por José Ribamar Bessa Freire 15/08/2010 - Diário do Amazonas)
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(este artigo tem tudo a ver com a consciencia judaica, pois trata do emudecimento forçado de culturas e idiomas; alias, o atual revival do idish no mundo ocidental provavelmente contém, a par da nostalgia, um certo orgulho dos que, embora hoje estejam num lugar social privilegiado, foram vitimas do preconceito e da exclusão no passado recente,...).
6.8.10
Iranianos e Holocausto
Um website de um grupo cultural iraniano (aparentemente nao-governamental) contém uma historia em quadrinhos em que o Holocausto, "a grande mentira", nunca aconteceu, mas foi inventado pelos judeus. A caricatura antissemita é exemplar ( algumas imagens aqui ) e muita gente protestou, inclusive o Yad Vashem.
3.8.10
Una entrevista en el infierno, por Diego Rosemberg
La editorial Capital Intelectual acaba de publicar una biografía de Marshall Meyer, que comienza relatando la visita que el rabino y Héctor Timerman realizaron a Etchecolatz, en busca de Jacobo Timerman. Aquí, fragmentos de los primeros capítulos.
Cuando sonó el teléfono, el rabino salió disparado. No le importó que faltaran pocas horas para el inicio del Shabat ni para el servicio religioso que, como todos los viernes por la noche, debía oficiar en la sinagoga de su comunidad, Bet El, en el barrio de Belgrano. Marshall Meyer había escuchado del otro lado de la línea la voz angustiada de Héctor Timerman, que le decía que no sabía dónde habían trasladado a su padre, Jacobo, secuestrado por segunda vez por un grupo de tareas de la dictadura militar, en julio de 1977. Héctor había recorrido Tribunales, la Casa de Gobierno y el Primer Cuerpo del Ejército y en ningún sitio recibía información sobre el paradero de su papá, el director del diario La Opinión, que había desaparecido de su celda del Departamento Central de la Policía Federal. Desesperado, decidió ir a pedir información en persona al comisario Miguel Etchecolatz, Director de Investigaciones de la temible Policía Bonaerense y mano derecha del general Ramón Camps, número 1 en el aparato represivo de la provincia de Buenos Aires en aquellos años oscuros.
El hijo del mítico periodista –que entonces tenía 23 años– no se animaba a ir solo y por eso acudió a Meyer, que estaba conteniendo espiritualmente a su familia desde que los militares habían detenido por primera vez a su padre, el 15 de abril de 1977.
Meyer escuchó con atención el relato de Héctor y no dudó ni un instante en acompañarlo y viajar hasta el mismísimo infierno para disputarle, cara a cara, uno de sus fieles al diablo. En el camino hacia La Plata habían acordado que sólo hablaría Héctor, que preguntaría por su padre y que no entraría en discusiones sobre los motivos de la detención ni el trato humillante que había recibido desde que se lo llevaron. Cuando llegaron a la Jefatura de la Policía Bonaerense debieron soportar una larga espera hasta que Etchecolatz los hizo pasar a su oficina. Como habían convenido, el único que habló fue Héctor: dijo que su padre había sido trasladado, que desconocía su paradero y agregó que su madre tenía los nervios destrozados. Fue un monólogo que duró unos diez minutos hasta que, sin más que decir, el joven calló y la oficina quedó invadida por un silencio que aturdía. Etchecolatz, que exhibía su mejor mirada torva, aprovechó el vacío y apuntó con sus ojos a Meyer.
–Y usted, cura, ¿quién es? –prepoteó el comisario, que recién en 2006 fue condenado a cadena perpetua por los crímenes de lesa humanidad cometidos como funcionario de la dictadura militar que gobernó la Argentina entre 1976 y 1983.
El rabino no se amilanó. Se levantó de su silla, a paso firme dio la vuelta al escritorio que lo separaba de Etchecolatz, se detuvo a escasos treinta centímetros y mirándolo a la cara lo increpó:
–Este cura es un pastor que busca a una oveja de su rebaño y sé que vos sos el ladrón que te la llevaste. Soy el pastor de Jacobo Timerman y vos tenés a mi oveja. No me voy hasta que no me la devuelvas –dijo Meyer, que tuteaba a todo el mundo, aun a quienes despreciaba profundamente. Así había aprendido a hablar castellano en 1959, cuando llegó desde su Nueva York natal a la Argentina, pensando en quedarse apenas dos años y sin sospechar que viviría aquí un cuarto de siglo. La mirada desorbitada de Etchecolatz, de pronto, cambió de destinatario.
Ahora apuntaba a Héctor Timerman, que ante tanta tensión también se había parado. Por primera vez, el policía buscó cierta –pero infeliz– complicidad con él:
–Por bastante menos que esto, acá hay muchos que... –el comisario interrumpió en seco la oración y comenzó a agitar una de sus manos hacia el cielo. A los dos visitantes les quedó claro el significado. No fue ésa la primera ni la última amenaza que recibió Meyer en su estadía en la Argentina. Pero como a todas, le restó –o hizo que le restaba– importancia. Héctor Timerman le pidió por favor al rabino que se sentara y le rogó al comisario para que volvieran a hablar sobre el destino de su padre. Etchecolatz finalmente se sentó y sin abandonar el tono marcial le dijo:
–Vuelva a su casa. A las 15 horas lo van a llamar con una dirección donde podrá ver que su padre está vivo.
Con puntualidad suiza, el teléfono de la familia Timerman sonó ese viernes a las tres de la tarde. Un emisario de Etchecolatz les dio una dirección en el municipio de Quilmes. Hasta allí fueron Meyer, Héctor y Risha, la esposa de Jacobo. Cuando llegaron al lugar advirtieron que se trataba de una comisaría legalmente constituida. Como al religioso no lo dejaron entrar, sólo ingresaron Risha y Héctor, que se preguntaba intranquilo si todo no sería una trampa de los represores para deshacerse del rabino.
Después de un largo rato, llegó un patrullero del que bajó Jacobo, quien se sorprendió al ver a su familia. No los dejaron hablar, sólo pudieron verse las caras durante cinco minutos. No obstante, los Timerman recuperaron cierta tranquilidad: interpretaron que el hecho de haber podido ver a Jacobo con vida en una dependencia legal haría que fuera mucho más difícil para los militares asesinarlo.
Cuando Héctor, Risha y Meyer emprendieron el regreso ya había comenzado a anochecer. Héctor no decía nada, pero aceleraba cada vez más. Quería regresar rápido a la Capital porque con la salida de la primera estrella había comenzado el Shabat; lo mortificaba pensar que por haberlo acompañado a ver a su padre, el rabino no llegara a tiempo para oficiar la ceremonia religiosa en Bet El y, encima, se viera obligado a violar los preceptos religiosos que, entre otras cosas, prohíben viajar a los judíos observantes en el día más sagrado de la semana, aquel que consagran a Dios.
–¿Por qué corrés? –preguntó Meyer, el único que se atrevió a romper el silencio en el viaje de vuelta.
–Es Shabat –quiso justificarse Héctor Timerman.
–Acaso no sabés que para salvar una vida se puede violar cualquier mandamiento. Salvamos la vida de tu papá y sería una pena que nos matemos en un choque. Así que manejá tranquilo, que de la teología me ocupo yo.
Marca de origen
La vida de Marshall Theodore Meyer parecía predestinada desde el mismo día en que nació, el 25 de marzo de 1930. Sus padres, Anita e Isaac, habían elegido llamarlo con ese nombre en homenaje a Louis Marshall, un prestigioso abogado y presidente del Consejo Judío Americano que fue abanderado de la defensa de los derechos civiles de las minorías. Mediante un acuerdo judicial, el jurista había logrado –entre otros méritos– que el entonces hombre más rico de América, el poderoso Henry Ford, se retractara de sus manifestaciones antisemitas vertidas en una serie de ensayos llamada El judío internacional: el problema más grande del mundo.
(...)
Marshall Meyer nació en Flatbush, un barrio neoyorquino del distrito de Brooklyn. Sus abuelos maternos habían llegado en 1888, desde Odessa. Para ese entonces, sus abuelos paternos llevaban casi tres décadas en los Estados Unidos. El pequeño Marshall era el tercer hijo de un matrimonio que había alcanzado una buena posición económica durante la Primera Guerra Mundial fabricando y vendiendo uniformes de combate, sobre todo a Francia y Bélgica.
(...)
Cuando cumplió los 13 años, Marshall realizó el bar mitzvá –la ceremonia por la cual los judíos adquieren la mayoría de edad en términos religiosos– con el rabino
Zeev Nelson del templo Beth Jacob, de Norwich, una sinagoga que había sido fundada en 1929. Aquella oportunidad en que leyó los libros sagrados del judaísmo fue la primera vez que habló en un púlpito para los feligreses. Casi al mismo tiempo, el pequeño Meyer ingresó en la Norwich Free Academy para cursar la escuela media. No sólo se destacaba en los estudios regulares, también en las clases de teatro, de educación física y de música. Desde muy chico, Marshall se había convertido en un entusiasta melómano, contagiado por su cuñado Karl Meyers, quien había dirigido en Alemania el Teatro de Opera Königsberg.
(...)
Las innovadoras ceremonias religiosas que oficiaba Meyer en la sinagoga Bet El, de Belgrano, también estaban impregnadas de ópera. El rabino –según describió alguna vez Jacobo Timerman– tenía una voz de barítono que sobresalía entre todas las demás. "En las actuales ceremonias de Bet El –confiesa el rabino Daniel Goldman– todavía cantamos algunas arias que Marshall había adaptado al hebreo." En el departamento que los Meyer ocupaban en la calle Zapiola, de Belgrano, la música funcionaba como un bálsamo en los oscuros años de la dictadura. Un imponente piano de cola presidía un living de importantes dimensiones y el rabino era capaz de ponerse a cantar para levantarle el ánimo a más de un perseguido por la dictadura militar que se refugiaba en su casa. "Cuando tuvimos que partir, fue muy repentino. Teníamos pocas horas. Marshall trató de darnos ánimo y nos dijo: 'Vengan a comer algo a casa'. Debemos haber llegado con unas dos horas de retraso y él tenía un bastón y un sombrero de paja y nos cantó maravillosas canciones de vaudeville", recordó Robert Cox, entonces director de The Buenos Aires Herald, uno de los poquísimos medios de comunicación que denunció las violaciones a los derechos humanos cometidas por la dictadura militar. Cox –que debió exiliarse en Carolina del Sur, Estados Unidos– calificaba al rabino como un ser erudito, capaz de invocar tanto a los profetas como a Shakespeare y lo definía como una mezcla de los compositores estadounidenses Leonard Bernstein y George Gershwin.
Una de las hijas de Meyer, Dodi, también recuerda aquella noche que combinaba la angustia del fugitivo con la celebración por la supervivencia: "Amenazaron a los chicos de Cox, trataron de secuestrarlos y se salvaron por un pelo. Esa misma noche vinieron a casa e hicimos una gran fiesta para ellos, decoramos la casa con banderas de Estados Unidos y todo. Luego se fueron".
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