18.3.10

O Prêmio Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, instituído pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Banco da Amazônia, com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), criou a Categoria Presença Judaica na Amazônia, exclusiva da edição dos Prêmios em 2010, especialmente para a comemoração de 200 anos da presença judaica na Amazônia (1810-2010).

Essa categoria tem como objetivo estimular a pesquisa e o resgate histórico da chegada dos judeus à região amazönica, na forma de monografia de no mínimo 50 páginas. A expectativa de conteúdos são os pilares de desenvolvimento construídos, as consequências para a economia e para a sociedade, a contribuição para os valores, cultura e pluralidade amazônica e o reflexo no campo empresarial, nos pólos avançados, na produção de bens e serviços, no campo agrícola com as culturas de subsistência e matérias-primas e nas áreas próprias de criação da pecuária bovina, bufalina e criatório em geral.

Para maiores informações consulte http://www.amazonia.desenvolvimento.gov.br/



11.3.10

Chefe índio em idish

Na semana do Oscar, esbarrei com essa cena hilária de Mel Brooks -- nome artístico de Melvin Kaminsky -- falando em idish no filme Blazing Saddles, que no Brasil se chamou Banzé no Oeste (1974). Isso foi antes da era do politicamente correto.

8.3.10

Judeus há 200 anos na Amazônia

Família de Max Diniz Fima, Alenquer, Pará (foto de Sergio Zalis, acervo do Museu da Diáspora em Tel Aviv): simbolos religiosos em convivência pacífica

Túmulo do "rabino santo", em cemitério cristão, motivo de peregrinação por conta da fama de "milagreiro" (foto S.Zalis) 

A imigração de judeus do Marrocos para a Amazônia começou em 1810. Eles vinham atraídos pelas promessas de liberdade e riqueza, mas tiveram que trabalhar muito para sobreviver. Como mascates, pecorreram incansavelmente os 3.800 quilômetros de rios que ligam Manaus a Belém. Instalaram-se em distintos povoados, construíram famílias, prosperaram, mantiveram alguns costumes e integraram-se. Hoje, quando essa imigração completa 200 anos, tudo indica que haja cerca de 60 mil “caboclos” de origem judaica na região. Assim, traços indígenas e sobrenomes como Levy ou  Benzaquen, portados com orgulho por famílias cristãs, fazem parte do cotidiano de um Brasil que não nega a mistura.

Na próxima quarta-feira, 17 de março, a partir das 19 horas, tudo isso será mostrado na sinagoga Shel Guemilut Hassadim (rua Rodrigo de Brito 37, Botafogo), no documentário Os Hebraicos da Amazônia (realização do jornalista e escritor Henrique Veltman, produção de Henrique Goldman) e na palestra Judaísmo na Selva, pelo presidente do Museu Judaico, Max Nahmias. A entrada é franca. O autor da lei que institui o Dia da Imigração Judaica no Brasil, deputado Marcelo Itagiba, estará presente.

Clique AQUI para ler artigo de Veltman, com remissão para texto integral, sobre o tema. Ele e o fotógrafo Sergio Zalis foram incumbidos em 1983, pelo Beth Hatefusot, o Museu da Diáspora da Universidade de Tel-Aviv, de documentar a saga dos judeus marroquinos na Amazônia. As fotos estão no acervo da instituição e nunca foram vistas, em seu conjunto, no Brasil.

Site do Museu em inglês

O site do Museu Judaico do Rio de Janeiro [www.museujudaico.org.br] já pode ser lido em inglês. A tradução, feita por Miriam Halfim, diretora do Museu, atendeu à necessidade de comunicação com um número crescente de visitantes do mundo todo interessados na trajetória judaica brasileira.

7.3.10

Banda Hadag Nahash

A premiada e super-popular banda israelense Hadag Nahash, que está lançando seu quinto CD, combina hip hop, rock, reggae e funk. Talentosos e antenados com os problemas da sociedade israelense, são músicos que abordam com vigor e criatividade temas como serviço militar, paz, economia, relações com os árabes e vida cotidiana.

Imagens

Jerusalém, 1898

Existe a propaganda política histérica, que produz repulsa ou bocejos, e existe a que derruba estereótipos. Para ver imagens inteligentes pró-Israel (em espanhol), clique em http://www.paisdemierda.org/

Raízes judaicas (e um toque brasileiro?) de George, o Curioso

Uma exposição em NY mostra as raízes judaicas – e, quem sabe, alguma influência brasileira – de um dos mais simpáticos personagens infantis da literatura e depois do cinema, o macaco George, o Curioso. Os criadores de George são o ilustrador H. A. Rey e Margret Rey, nomes artísticos do casal Hans Augusto Reyersbach (1898 - 1977), ilustrador, e sua mulher Margarete Elizabeth Waldstein (1906 - 1996), escritora, nascidos em Hamburgo.

Refugiados do nazismo em Paris, ambos fizeram escala no Rio, em 1940, antes de seguir para os EUA. Eles fugiram da capital francesa de bicicleta antes da invasão alemã,      levando suas ilustrações para livros infantis, inclusive a  do macaco (então chamado Fifi). Atravessaram  França, Espanha e Portugal antes de embarcar para o Brasil, onde teriam feito uma viagem exploratória pelo rio Amazonas. Pode ser que essa estadia tenha contribuído para a formatação final de George, cujas aventuras acontecem na África...

O casal escreveu e ilustrou mais de 30 livros, quase todos infantis, e George foi traduzido para dezenas de línguas. A exposição, no Museu Judaico de Nova York, mostra desenhos originais, trabalhos preparatórios, fotografias e documentação relativa à fuga da Europa. Veja mais em thejewishmuseum.org.

24.2.10

História dos Judeus nos EUA terá grande museu

O novo Museu Nacional da História dos Judeus Americanos [National Museum of American Jewish History], com inauguração marcada para novembro próximo na Filadélfia, mostrará uma saga que começou há 350 anos e prossegue até os dias de hoje, uma história de sucesso e superação que produziu grande impacto no imaginário coletivo ocidental.

Acima, o quadro em que o Museu mostra a quantas anda sua construção, que é informada no site  http://www.nmajh.org/ , onde podem ser vistas as fotos da obra em progresso.

Essa transparência, mais a abertura para a participação popular, são aspectos interessantes do Museu. Foi por eleição direta (mais de 209 mil votos, vindos de 56 países) que foram escolhidas as primeiras 18 personalidades que terão suas vidas e obras retratadas na Galeria da Fama, devidamente chamada Only in America Gallery/Hall of Fame.

A Galeria incluirá nomes como Irving Berlin, Leonard Bernstein, Albert Einstein, Estée Lauder, Emma Lazarus, Golda Meir, Isaac Bashevis Singer, Steven Spielberg e Barbra Streisand. As realizações desses indivíduos ilustram um dos traços característicos da experiência dos imigrantes nos EUA, e que foi a oportunidade de desenvolver-se e produzir bens materiais e imateriais que mudaram a face do mundo sem ter como sustentação nem o poder político nem a riqueza familiar. Os 218 homens e mulheres que receberam votos serão incluídos numa base de dados interativa que ficará disponível aos visitantes do Museu.

Onde estão as fotos históricas de Wolf Reich?


A memória coletiva precisa da generosidade individual para consolidar-se. Onde estão as fotografias da comunidade judaica carioca feitas por Wolf Reich antes da Segunda Guerra? O jornalista e escritor Alberto Dines as está buscando para mandar copiá-las, restaurá-las se for necessário, e montar um acervo onde elas serão exibidas com destaque. As fotos serão devolvidas imediatamente após a cópia e seus proprietários receberão todas as menções e todos os devidos agradecimentos públicos (informações podem ser transmitidas via Museu, telefones 2240-1598 e 2524-6451).

Reich, que chegou ao Brasil antes da Primeira Guerra, era, além de fotógrafo, exímio desenhista, uma figura conhecida na Praça XI dos anos 1930. Fotografava crianças, jovens, homens e mulheres, registrava casamentos, festas de bar mitzvah e eventos variados no restaurante Schneider, reduto dos imigrantes. Ia de casa em casa carregando seu pesado equipamento. Morava sozinho num quarto na rua Santana e vivia bêbado, recorda Dines, cujo pai, Israel, conseguiu que ele ocupasse o porão (rés-do-chão) da Sociedade Beneficiente Israelita, Relief, na rua Joaquim Palhares. Ali o fotógrafo fez um pequeno estúdio e montou o seu laboratório.

Dines acredita que a foto de Stefan Zweig com o Pão de Açucar ao fundo foi feita nesse estúdio, com um cenário pintado por Reich. O fotógrafo morreu louco num asilo e seu túmulo ainda não foi localizado.

O cinema judaico na Cinelândia (por Iêda Rozenfeld*)

Cena do filme “The American Matchmaker” (1940).     
Entre as duas Grandes Guerras, chegaram ao Brasil imigrantes judeus da Europa Oriental cuja língua materna era o ídiche. Nas principais cidades do país, onde se estabeleceram cheios de esperanças e ansiosos por refazer suas vidas, eles reproduziram, como puderam, suas ligações com o passado. Tudo que representasse um vínculo afetivo com o mundo que deixaram para trás, era válido, confortador. Mas, além da língua e da religião, foram duas manifestações artísticas - o teatro e o cinema - que se tornaram as mais valiosas formas de expressão desses imigrantes nas diferentes comunidades onde se estabeleceram.
(...)
No Brasil, entre as duas guerras, testemunha-se a constante tentativa de se estabelecer aqui uma indústria cinematográfica, a partir, por exemplo, de experiências relativamente bem sucedidas como as da Cinédia (1930), Brasil Vita Filme (1934), Sinofilmes (1937), Atlântida (1941) e a Vera Cruz (1949). Apesar de inúmeros sucessos de público, entretanto, a atividade cinematográfica se esforça para sobreviver em um mercado dominado por produções estrangeiras, majoritariamente norte-americanas. Em Hollywood se construiu, com o capital e a imaginação de imigrantes judeus, uma verdadeira usina de sonhos. 

Para ler este artigo na íntegra e ver mais sobre o tema clique em CenaCine

* Iêda Rozenfeld é cineasta e documentarista

Dívidas que salvam

A piada abaixo é cortesia de Al Kustanowitz, “blogueiro-chefe” do site http://www.jewishhumor.central.com/. Ele coleta humor judaico há 23 anos e também pode ser lido em http://www.kustanowitz.com/

Sheldon e Marlene estão voando para a Austrália para duas semanas de férias nas quais celebrarão seu 40º. aniversário de casamento. No meio do vôo, o comandante anuncia pelo alto-falante:

“Senhoras e senhores, tenho más notícias. Todos os nossos motores estão em pane e tentaremos um pouso de emergência. Por sorte, vejo bem abaixo de nós uma ilha que não está no mapa, e suponho que conseguiremos aterrissar na praia. Mas corremos o risco de nunca sermos resgatados e de termos que viver na ilha pelo resto de nossas vidas”.

Graças à competência da tripulação, o avião aterrissa em segurança. Ninguém fica ferido. Uma hora mais tarde, Sheldon pergunta à esposa:

"Marlene, já pagamos nossa cota da Sinagoga Oheh Kessef?"

"Não, querido," ela responde, "ainda não".

Sheldon, ainda tremendo por causa do pouso forçado, faz outra pergunta:

"Marlene, enviamos a mensalidade do Fundo Judaico Unido?"

"Oy, não! Desculpe, esqueci de enviar o cheque”, diz ela.

"Mais uma coisa, Marlene, você se lembrou de pagar ao Fundo de Construção de Sinagogas este mês? " ele indaga.

"Oy, oy, oy, perdão, Sheldon," implora Marlene. "Também não fiz o cheque".

Sheldon agarra a mulher, abraça-a com força e lhe dá o beijo mais apaixonado dos últimos 40 anos.

Marlene o empurra e pergunta: " E então, por que você me beijou?"

Sheldon responde ..... "Eles vão nos encontrar."

Museu da Tolerância em lugar sagrado islâmico continua a provocar incômodo

Mais uma pedra no caminho da iniciativa do Centro Simon Wiesenthal de construir um Museu da Tolerância em Jerusalém: o arquiteto Frank Gehry anunciou que está se retirando do projeto. Todas as referências a Gehry (cujo sobrenome era originalmente Goldberg e que foi o arquiteto do Guggenheim de Bilbao, entre outros ícones da arquitetura contemporânea) e suas imagens foram retirados do site do Centro, que tem um Museu da Tolerância em Los Angeles desde 1993.

Os adversários do projeto, avaliado em 250 milhões de dólares, esperam que a retirada seja a gota d’água que faça o Centro recuar definitivamente da polêmica construção, que muitos chamam de megalomaníaca e despropositada, ademais de ser acusada de dessacralizar um local sagrado islâmico, o cemitério Mamilla. A Corte Suprema de Israel rejeitou, em 2008, a petição contrária à obra, alegando que não haviam sido interpostas objeções quando um estacionamento fora construído em parte do antigo cemitério, em 1960.

Entre os adversários do projeto está a poderosa Conferência Central de Rabinos Americanos, grupo que representa 1.500 rabinos reformistas. Eles conclamaram o Centro a encontrar outro local para seu Museu, alegando ser no mínimo contraditório erguer um espaço pró-tolerância num pedaço de terra onde os islâmicos fazem enterros há 800 anos.

O Centro Wiesenthal argumenta que em 1920 as autoridades islâmicas de Jerusalém autorizaram a remoção de ossos do cemitério para permitir a construção do Palace Hotel, mas o argumento foi contestado com documentos pelo antigo reitor da Universidade Hebraica, Yehoshua Ben-Arieh, especialista em geografia de Jerusalém, segundo o qual o hotel foi construído ao sul dos muros do cemitério.

O professor Yehoshua Ben-Arieh diz: "Construir o museu [ sobre o cemitério islâmico ] criará uma situação irreversível que prejudicará várias gerações e será um precedente extremamente perigoso". Segundo ele, a obra tornará possível reivindicar que cemitérios judaicos em Israel e no exterior também sejam derrubados para dar lugar a prédios de propósitos diversos.

6.1.10

Sem Madeleines pelo amor de Deus (by Paulo Blank)

O título acima é do artigo que o psicanalista e escritor Paulo Blank postou no site www.judaismohumanista.ning.com  no primeiro dia de 2010. Ele começa assim:

"Nada mais genial do que a invenção de um tempo que pode mudar de sentido. Mal saímos da festa de Hanuká e já estamos, uma vez mais, comemorando a possibilidade de um novo começo. Esta capacidade de festejar o novo como se ele fosse uma refundação do tempo é, sem dúvida, uma conquista tão importante da mente humana quanto a invenção do perdão que desfaz as correntes do passado. Em ambas as situações estamos tratando da capacidade de sair de um tempo vivido como se fosse os trilhos de um trem correndo e sem possibilidade de mudar de curso (...)"

5.1.10

Man Ray: reinvenção do artista

Nascido Emmanuel Radnitzky, na Filadélfia, Man Ray (1890-1976) trilhou um caminho subversivo e múltiplo desde que se mudou, nos anos 1920, para Paris. Pintor,fotógrafo, escritor, pioneiro do dadaísmo e do surrealismo,ele construiu sua persona artística, uma das mais importantes do século XX, suprimindo inteiramente os traços do passado de filho de imigrantes judeus russos.

A exposição Alias Man Ray: The Art of Reinvention [Pseudônimo Man Ray: A Arte da Reinvenção], até 14 de março no Museu Judaico de Nova York, conduz o público além do prazer estético. Obriga a uma série de reflexões sobre origens, papel da arte e capacidade humana de modificar a própria história.

Abaixo, auto-retrato com câmera (sem título, pintura) e fotografia da pintora mexicana Frida Kahlo. Veja mais no site http://www.thejewishmuseum.org./




BOAS FÉRIAS!!! (voltamos em fevereiro)


Ilustração de Menachem Jerenberg no Jerusalem Post

McDonald's com selo kosher em Jerusalém


Após nove anos de negociações com o rabinado de Jerusalém, a rede McDonald's enfim terá uma loja com certificado kosher na cidade. Segundo o jornal Jerusalem Post, o logotipo,os uniformes dos funcionários e os invólucros de papel serão em cor azul, em vez do tradicional vermelho. Originalmente, dizem que o rabinado queria que o nome da loja fosse McKosher, mas a empresa recusou. Só 24 dos 153 McDonald's de Israel são kosher, mas não têm o certificado religioso.

4.1.10

Imagens do horror nazista



Ainda sobre o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad no Brasil: na crítica à presença do visitante, que, entre "otras cositas más", nega o Holocausto, David Zylbersztajn postou, em seu blog em O Globo, um link para "Memory of the Camps", filme editado por Alfred Hitchcock no pós-guerra. Para ver, clique AQUI. São imagens feitas durante a retomada, pelos Aliados, de áreas ocupadas pelos nazistas. Pela crueza, ficaram arquivadas por seis décadas até serem exibidas em 2007 pela rede pública educativa norte-americana PBS.

"Prepare sua emoção, tente controlar sua indignação e seu estômago. Estas imagens que tanto mal nos produzem, têm, por outro lado, o mérito de não deixar que tudo isto caia no esquecimento e que dejetos humanos como Ahmadinejad tentem negar o maior genocídio que a humanidade já conheceu”, escreve Zylbersztajn.

Preparei a emoção. Tentei fugir à náusea. Mas foi em vão. Diante de tamanho horror em estado puro, só consegui assistir a 8 dos 52 minutos.

Por mais que alguns grupos justifiquem todas as alianças com o discurso da realpolitik, é impossível deixar de apontar, por todos os meios possíveis, as "distrações" históricas e as tentativas de "naturalização" de crimes contra a humanidade como o Holocausto.  "Não esqueceremos" é um lema que continua atual.